
Na maioria dos dias eu só queria ficar sozinha, sozinha de comigo mesma e não de abandonada na solidão. É complicado, eu sempre esperei que as pessoas parassem tudo pra me ajudar, mas isso era muito egoísmo da minha parte, escutar os problemas, compartilhar a dor, largar tudo pra fazer o outro sorrir porque ele estava triste e parecer que ninguém me via triste. Porque eu sempre fui a companheira para as coisas que ninguém mais toparia, como sair debaixo de chuva escondida ou conversar de madrugada no telefone porque o outro estava triste, mas as minhas coisas sempre foram impossíveis demais, sempre eram irrealizáveis. Porque eu era a que estava pronta pra sair e dançar a noite inteira pra que os outros se distraíssem mesmo acordando cedo no outro dia, mas quando eu precisa sair era desnecessário, eu era manhosa. Quando eu brigava com os outros era porque eu era a brigona por nada, a que se chateia por pouco, a brava. Porque eu sempre acostumei tanto a apenas escrever escondida o que pensava, que quando as pessoas me magoam eu fico calada ou digo esquece e por incrível que pareça, elas esquecem. Eu aprendi a insistir, mas ninguém insisti em mim, é sempre fácil demais ignorar o que eu sinto ou como me sinto. É sempre fácil demais me dar conselhos que ninguém segue e esperar que eu faça o mundo virar um arco-íris, mas não é fácil assim. É bem difícil pra ser sincera, eu não sei o que fazer, eu queria não ter que cobrar dos outros, “ei faz isso pra mim?” quando ninguém se oferece pra me ajudar, ninguém diz um obrigada. O pior de tudo é continuar chorando escondida, continuar escrevendo pra ninguém ler e sorrir levando tapa na cara, todos os dias. Acho que amor é isso também, é engolir rasgado tudo o que machuca pra não machucar os outros. (falasdosilencio)